Patinando com o Alter-Ego

Patinando com o Alter-Ego


25.4.08
# Aviso a todos os nossos queridos amigos que não sofremos nadinha em decorrência do tremor de terra ocorrido recentemente. Nem danos físicos, nem psicológicos, nadinha. Aliás, nosso gato Harroto de Campos até se beneficiou, acho eu. Coincidência ou não, o bichano livrou-se de sua empedrada carga intestinal.

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E ao saber do trágico desaparecimento do padre voador, Malatesta declarou que foi tudo "muito justo". E ainda ajuntou que os tubarões já devem ter comido e defecado o tal padre desmiolado. Ninguém aqui lamentará a perda de alma tão obsoleta.
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22.1.08
# O novo ano começou sem grandes novidades. Giuseppe Malatesta tem passado muitas horas no porão, sob a justificativa esfarrapada de estar limpando e ajeitando melhorr as tralhas. Estou com uma luz vermelha acesa dentro de mim; quando Malatesta, o stronzo, resolve se debruçar sobre algum projeto maluco, sempre fica enfiado no porão - e sempe vem com esse tipo de desculpa. Limpando e ajeitando... Não consigo acreditar. Por isso eu tremo. Tsc, tsc, tsc... coisa boa não vem por aí, meus queridos e persistentes leitores.
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6.12.07
# Oh Tannembaum! Oh Tannembaum! Como é maluco o meu Natal!
# A casa já está toda decorada, e nem mesmo o banheirinho do jardineiro escapou do louco espírito natalino de Giuseppe Malatesta e Lu Bórgia. Por onde olho, encontro uma guirlanda torta, uma bola desbotada ou um raminho que deveria ser holly, mas tão fosco e pardo se apresenta... que mais parece proveniente lá daquelas abomináveis caatingas sertanejas de Euclides da Cunha. A árvore, ainda que decadente e ligeiramente inclinada para trás, é o único ornamento que não me faz corar de constrangimento. Isto porque impedi o stronzo de colocar uns cordões pavorosos feitos com quilos de macarrão carunchado inconvenientemente cobertos com tinta dourada vagabunda, do tipo que sai quando se passa o dedo.
Sobre o meu querido piano, imaginem vocês, colocaram um presépio artesanal (argh!), desses feitos com juta e outros trapos, e cujas figuras parecem ter cabeça de bolinha de ping pong. Uma atrocidade estética que Malatesta disse ter comprado num bazar, mas que me cheira a presente de uma daquelas damas notívagas que ele visita desde a década de 1970. O pior mesmo é o odor insuportável que desprende desses adornos fabricados pelas inábeis mãos de senhoras peidorrentas da periferia paulistana. O nosso gato, Harroto de Campos, desistiu de aboletar-se sobre o tampo do piano, prefere ficar bem longe do assustador presépio de juta.
# Mas o aspecto mais chocante das Festas deste ano é - sem qualquer dúvida - o cardápio maluco que o stronzo do Malatesta criou. E o tosco quer-porque-quer que a nossa ceia natalina de 2007 seja exatamente como ele planejou, desde a entrada até a sobremesa. A entrada: Trouxinhas de Mortadela Fatiada com recheio de bananas cozidas e adoçadas com açúcar mascavo. Haveria, também, trouxinhas de mortadela recheadas com queijo provolone picado, pimenta mexicana e couve cozida esfiapada. Mas a coisa não pára por aí...
O cardápio é realmente ousado. Foi idealizado um tal Salame Caramelizado e uma tal Farofinha de Pinto, que leva carne de pintinhos de 7 dias, bacon em cubos, amendoins sem casca e – acredite quem quiser – alpiste torrado.
# É óbvio que eu não permitirei o preparo dessa ‘CEIA NATALINDA’ (o stronzo assim batizou sua criação gastronômica diabólica). Se o Malatesta fizer questão absoluta de tal ceia, ele que a prepare na casa de alguma de suas amigas-damas-notívagas.
Ah, quase me esqueço de contar-lhes qual seria a sobremesa imaginada pelo nosso chef Malatesta: Sagu de Groselha com Sorvete de Jaca Madura, este preparado por uma tal Dona Radiolina Calheiros, alagoana residente numa tal cidade de Murici dos Arcos da Velha. Claro que o sorvete chegaria num avião, tudo sem custo de frete, ao menos é o que Malatesta garante.
Quanta maluquice! Esta narrativa me deixou cansado. Vou tirar uma soneca e volto assim que puder, está bem?
# Em Tempo: acreditem-me, chego a sentir saudade do velho presépio de figurinhas mutiladas (ao menos não cheirava e nem fedia). Será eles não o encontraram no porão? Ou será que os ratinhos cínicos acabaram por roer todas as figurinhas? Que fim terá tido aquele pobre São José sem pé e sem nariz? Que fim terá tido a ovelha sem orelhas e o burrico sem rabo? E o anjo sem cabeça???
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