Patinando com o Alter-Ego

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4.3.03

Carnaval é uma grande porcaria!

# Eu detesto carnaval. Não acho a mínima graça. Os desfiles das escolas de samba são aquela chatice de sempre; os comentários dos jornalistas também se repetem até provocar vômito; as bundas são as mesmas de sempre, os peitos são os mesmos, as fantasias, os carros alegóricos e as músicas não trazem novidades.
Liguei a televisão e vi o Caetano Veloso usando vestido longo e cantando em cima de um caminhão, ao lado do ministro Gilberto Porre Gil, que também parecia estar de vestido longo. Senti aquela melancolia misturada com tédio e mudei para o canal de filmes. Ficamos assistindo a um policialzinho "B", eu e o Harroto. Mais tarde, a Lu chegou. Veio com a fantasia toda rasgada e os olhos vermelhos de tanto chorar. Deve ter acontecido alguma briga feia no bloco das cozinheiras do Jardim Europa. A doida se trancou no quarto, sem dar qualquer explicação e ligou o rádio em uma emissora evangélica. Haja paciência!
Lá pelas quatro da manhã chegou o maledetto do Malatesta, tropeçando nas pernas, acompanhado de duas mulatas muito feias, quase nuas. Os três estavam cheios de pinga e começaram a sambar no meio da minha sala de estar. Fiquei furioso! Passei a mão num espeto de churrasco, que guardo atrás da porta da cozinha, e expulsei-os para o jardim.
Uma das mulatas escrotas, por vingança, se abaixou e urinou dentro do meu tanquinho de carpas. Saí com meu espeto de churrasco e botei a audaciosa, juntamente com sua coleguinha, para fora da minha propriedade. O Malatesta stronzo ficou ali, deitado no meio do quintal, roncando feito um animal. Meu sangue fervia de borbulhar.
Depois disso tudo, o que vocês acham que eu fiz? Tomei um dormonid genérico (maleato de midazolam), duas aspirinas, mandei o carnaval a merda e fui dormir.


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