Patinando com o Alter-Ego

Patinando com o Alter-Ego


7.4.04
# Imaginem uma mulher adulta que fica completamente confusa diante de um pequenino rocambole. Ela pensa: "Como faço pra comer esse troço esquisito?" Então, depois de ativar todos os seus recursos intelectuais, lógicos e analógicos, ela conclui que a forma correta de comer o racambole só pode ser DESENROLANDO, ARRANCANDO OS PEDAÇOS COM OS DEDOS E ENFIANDO-OS NA BOQUINHA! Simples, não?
Agora, meus caros, imaginem que uma mulher dessas foi premiada com 500 mil reais, por ter sido eleita a mais querida e a mais carismática anta de um reality show. A minha perguntinha é: essa criatura sagaz - que tem a capacidade única de desenrolar um rocambole - pode ou não pode almejar a Presidência da República? Claro que pode! No Brasil, pode, sim! E deve!

- Malatesta, não zombe da pobre-rica mocinha desenroladora de rocamboles! Você queria que ela fosse o quê? Uma cientista? Uma devoradora de livros? Para quê? Para varrer calçadas? O novo Brasil é dos burros, Malatesta, pode anotar aí: Ser burro é fino; ser burro é divertido; ser burro é mais do que respeitável!


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6.4.04
# Em 1991 eu comprei uma bonita pasta de couro, legítima Prada, dessas que todo executivo elegante daria el raborum para possuir uma igual (na época, porque hoje eles concedem el raborum por qualquer picutico de nada, por qualquer ventinho encanado). Entretanto, meus caros, é quase certo que botaram olhões bem gordos em cima da minha Pradinha. Certo dia de chuvarada, a pasta escapuliu da minha mão e foi parar dentro de uma poça d'água suja. Em seguida, a pobrezinha sofreu 5 atropelamentos cruéis, tornando-se então uma coisa pardacenta e disforme. Virou uma teta de velha aborígene. Ah, eu devia ter atirado a finada ao lixo, mas acabei, por razões sentimentais, enfiando a coisa no depósito de cacarecos que temos no porão.
Não é que hoje eu reenconto a pasta-teta Prada nas mãos do Malatesta porco cane? "Que diabo você está fazendo com essa coisa embolorada?", perguntei. Ele disse que pegou a pasta-teta para guardar algumas amostras de produtos cosmetoeróticos geniais, recém-criados por ele mesmo, e que poderiam fazer um sucesso gigantesco no mercado, dependendo de uma ou outra jogadinha de marketing.

Pronto, ali estavam as invenções cosmetoeróticas do Malatesta, bem diante dos meu olhos esbugalhados. Até balinhas havia. "Mas o que são estas coisas, Sr. Giuseppe Malatesta?" - indaguei.
Querem mesmo ouvir a resposta?

1) Creme Hidratante Canjiquinha do Amor: leite C, Glucose de Milho, tudo com aroma de água sanitária e amaciante de roupas ordinário, desses vendidos aos galões.
2) Água de Colônia Le Lac de Lesbos, com uma fragrância inimaginável, mistura de variados aromas: restos de perfumes franceses da Lu Bórgia, lubrificante Lubrax, arenques em conserva e casadinho de camarão (de anteontem).
3) Balinhas Vivi-Chérie, muito azuis (até que bonitinhas) supostamente fabricadas com Viagra, sabe-se lá "se" e em qual grau de diluição. Serventia das balinhas? Pasmem! Fortalecimento temporário da língua. Não, não há necessidade de detalhamentos!

"Tem mais!" Tem mais, patrão!"
"Chegaaaa! Não quero ver mais nada, Malatesta!"
"Patrão Steinway, posso ficar com questa pastinha qui?" - ele quis saber, enquanto recolhia os trecos cosmetoeróticos.
"Sim, pode ficar com a velha pasta-teta, Malatesta!" - foi o que eu disse para o farabutto. Afinal, reconheço que não havia lugar mais perfeito para acomodar todo aquele monte de porcarias.


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