Patinando com o Alter-Ego

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23.1.06

# Ontem, infelizmente, Rola Maria faleceu. Ela foi nossa lavadeira e passadeira por mais de vinte e cinco anos (se é que não errei nas contas). Que história triste! Imaginem vocês que Rola Maria viveu dos oito aos quarenta e oito anos à espera de um milagre de amor (era dessas). Queria ser amada romanticamente, ter marido fiel, amante dedicado, o que fosse, mas havia enormes dificuldades para atingir tais objetivos. Só mesmo um milagre lhe concederia a posse permanente e legal de um homem em perfeito (ou quase perfeito) funcionamento. Posso resumir a relação das desgraças de Rola Maria numa única frase: a cara dela era cópia cuspida daquele semblante aimará do presidente Evo Morales (blérghhh!).

O corpo de Rola também se assemelhava ao do Evo (blérghhh ao cubo!). Bom, fato é que o milagre de amor aconteceu. Aconteceu, sim, em dezembro passado. Ela conheceu um senhor sexagerário, coronel reformado, que concordou em dividir o leito com a versão feminina e bem passada de Evo Morales. Casaram-se rapidamente.

A felicidade de Rola Maria foi tanta que ficamos sem lavadeira e passadeira durante 2 meses, o tempo da lua de mel, desfrutada em Águas de Lindóia. Comecinho deste mês, Rola Maria deu para cultivar inseguranças. Vivia em dúvida quanto ao amor do coronel, e quanto à sua fidelidade também. Ficou imaginando modos de colocar os sentimentos do marido à prova.
Na manhã de ontem, depois de muito pensar, a doida da Rola teve o que acreditou ser uma idéia "luminosa". Decidiu dizer ao marido que estava tendo um caso amoroso com Seu Ernani, o jornaleiro (outro sexagerário), só para ver qual seria a reação diante da "bomba". E, conforme fosse a reação do marido, ela o abraçaria e confessaria que era tudo mentirinha. Não deu tempo, não! No que ela comunicou que estava dormindo com o jornaleiro, o coronel tascou-lhe 3 tiros na fuça e sumiu neste mundão. A história toda só foi esclarecida, porque Rola Maria mantinha um diário, no qual anotava tudinho, tudinho que lhe passava pela cabeça torta. Foi uma tragédia e tanto. O stronzo do Malatesta, muito sensível que é, não se conforma. Nem eu me conformo, e nem Lu Bórgia. Que lástima! Ficamos assim, sem lavadeira, sem passadeira, vamos penar até encontrar outra colaboradora que chegue aos pés da nossa saudosa e competente Rola Maria.


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