Patinando com o Alter-Ego

Patinando com o Alter-Ego


18.3.06
# Uma das coisas mais irritantes no Malatesta é a sua infinita e eterna mania de copiar metade de tudo o que eu faço. E o stronzo é um imitador barato, descarado, daqueles que deitam e rolam nas idéias alheias e ainda se julgam pessoas originalíssimas. Darei um exemplo, mesmo porque não me faltam exemplos a dar: o caso dos haicais!

Estava eu compondo alguns delicados haicais, quando o maledetto se aproximou e quis saber o que é que eu estava fazendo. Com toda a paciência, já que eu estava num de meus dias de dadivosa tolerância, dei ao traste uma pequena aula sobre essa forma de poema japonês. Expliquei-lhe a respeito da questão métrica, das regras básicas, falei dos três versos - de 5, de 7 e novamente de 5 sílabas, cheguei mesmo a repetir-lhe, em voz alta, os 10 mandamentos do Mestre Goga. Pronto, foi a conta! Saiu ele a resmungar, dizendo que eram muitas regras, que haicai era coisa para japonês-cara-de-ovo e coisas mais. Passadas umas duas horas, o stronzo voltou com sua grande invenção, que não passa de uma porcaria criada apenas para disfarçar seu desejo de copiar minhas atitudes artísticas. Malatesta criou o 'cai-ai-ai', modalidade poética com apenas 1 regrinha: o primeiro verso deve ser uma afirmação e o segundo verso uma pergunta, nada mais.
"Mio cai-ai-ai é molto mais poeticoso do que essas coisas japonegosas que você está escrevendo aí, Steinway!"
E tanto falou, tanto buzinou nos meus pobres ouvidos, que lhe acabei prometendo publicar o seu primeiro cai-ai-ai aqui no Patinando. Vá lá, aí está a atrocidade poética:



Meu pintinho caiu dentro do buraco do tatu.
Quantas pregas tem em volta do olhinho do urubu?



(Cai-ai-ai de Giuseppe Malatesta)


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