Patinando com o Alter-Ego

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6.12.07
# Oh Tannembaum! Oh Tannembaum! Como é maluco o meu Natal!
# A casa já está toda decorada, e nem mesmo o banheirinho do jardineiro escapou do louco espírito natalino de Giuseppe Malatesta e Lu Bórgia. Por onde olho, encontro uma guirlanda torta, uma bola desbotada ou um raminho que deveria ser holly, mas tão fosco e pardo se apresenta que mais parece proveniente lá daquelas catingas sertanejas de Euclides da Cunha. A árvore, ainda que decadente, é o único ornamento que não me faz corar de constrangimento. Isto porque impedi o stronzo de colocar uns cordões pavorosos feitos com quilos de macarrão carunchado inconvenientemente cobertos com tinta dourada de quinta, do tipo que sai quando se passa o dedo.
Sobre o meu querido piano, imaginem vocês, colocaram um presépio (argh!) artesanal, desses feitos com juta e outros trapos, e cujas figuras parecem ter cabeça de bolinha de ping pong. Uma atrocidade estética que Malatesta disse ter comprado num bazar, mas que me cheira a presente de uma daquelas damas notívagas que ele visita desde a década de 1970. O pior mesmo é o odor insuportável que desprende desses adornos fabricados pelas inábeis mãos de senhoras peidorrentas da periferia paulistana. O nosso gato, Harroto de Campos, desistiu de aboletar-se sobre o tampo do piano, prefere ficar bem longe do assustador presépio de juta.
# Mas o aspecto mais chocante das Festas deste ano é o cardápio maluco que o stronzo do Malatesta criou. E o tosco quer porque quer que nossa ceia natalina de 2007 seja exatamente como ele planejou, desde a entrada até a sobremesa. A entrada: Trouxinhas de Mortadela Fatiada com recheio de bananas cozidas e adoçadas com açúcar mascavo. Haveria, também, trouxinhas de mortadela recheadas com queijo provolone picado, pimenta mexicana e couve cozida esfiapada. Mas a coisa não pára por aí...
O cardápio é realmente ousado. Foi idealizado um tal Salame Caramelizado e uma tal Farofinha de Pinto, que leva carne de pintinhos de 7 dias, bacon em cubos, amendoins sem casca e – acredite quem quiser – alpiste torrado.
# É óbvio que eu não permitirei o preparo dessa ‘CEIA NATALINDA’ (o stronzo assim batizou sua criação gastronômica diabólica). Se o Malatesta fizer questão absoluta de tal ceia, ele que a prepare na casa de alguma de suas amigas-damas-notívagas.
Ah, quase me esqueço de contar-lhes qual seria a sobremesa imaginada pelo nosso chef Malatesta: Sagu de Groselha com Sorvete de Jaca Madura, este preparado por uma tal Dona Radiolina Calheiros, alagoana residente numa tal cidade de Murici dos Arcos da Velha. Claro que o sorvete chegaria num avião, tudo sem custo de frete, ao menos é o que Malatesta garante.
Quanta maluquice! Esta narrativa me deixou cansado. Vou tirar uma soneca e volto assim que puder, está bem?

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3.12.07
# O Natal se aproxima... o stronzo do Malatesta e Lu foram ao porão buscar os enfeites da época, as caixas com bolas inglesas dos anos 1940, o presépio de figurinhas mutiladas, os sinos, as fitas vermelhas e outras tantas coisinhas. O pinheirinho sairá do nosso próprio jardim (sempre os plantamos aqui mesmo, já é tradição). Amanhã ou depois eu lhes contarei como ficou a decoração da casa, e quantas e como foram as nossas discussões a respeito de besteiras.
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